sexta-feira, 26 de abril de 2013

MERCEARIA 130 - um dos melhores lugares de BH

Nosso blog não é um espaço de crítica gastronômica, nem de divulgação constante de lugares pra comer e beber, novidades, etc. Existem vários blogs que fazem isso muito bem, até porque o CASAL GASTRÔ sai demais mesmo é pro mato...
Mas de vez em quando fazemos questão de indicar algum lugar bacana, principalmente quando a gente gosta muito. E já faz um tempo que frequentamos um lugar bem legal, a MERCEARIA 130.
Muitos já conhecem e já se falou bastante dela por aí, mas não custa espalhar mais a ideia.


Fica no bairro da Serra, e tem uma proposta interessante de bar/restaurante mais despojado, nem chique, nem copo-sujo, com o propósito de servir comida boa com um toque mais gourmet, porém com simplicidade e, o melhor, preços bem honestos.


O cardápio é bem enxuto e só existe nos quadros negros fixados na parede, com opções de entradas (que também servem como tira-gosto), como o ótimo tartare de salmão, na casa dos R$20.

Tira-gostos, como o interessante torresmo de costela:

O corte da costelinha é feito também com a pele, que vira essa pururuca aí.
E pratos principais, que funcionam da seguinte forma: você escolhe a carne (steak de filé, contra filé, picanha, cordeiro...entre R$20 e R$30) ou peixe (truta, salmão, bacalhau...entre R$20 e R$40) e tem direito a escolher um dos acompanhamentos do dia (legumes no vapor, batata ao murro, polenta frita, risoto...). Forma interessante e democrática.

É possível ver das mesas a turma cozinhando.
Já provamos alguns pratos, como a posta de salmão mal passado com legumes (R$22):

Salmão no ponto escolhido, tostado de um lado e mal passado do outro.
Cordeiro com batatão ao murro e cogumelos (R$28):

Pedaços suculentos e generosos de paleta de cordeiro.
E na última quinta feira, provamos um feijão tropeiro muito bem feito - molhadinho sem ser gordo - acompanhado de um bifão de picanha no ponto perfeito do pedido (R$25). O lombinho acebolado que acompanha esse prato do dia já tinha acabado, depois de tantos pedidos. E suspeito que a culpa seja do 'Blog do Girão' que cantou a pedra, como sempre com muita propriedade (clique aqui):

Passar no teste do tropeiro bem feito com o belorizontino é difícil,
 mas eles conseguiram.
Durante a semana, além dos pratos fixos, no almoço ainda rola o "do dia":

3ª - tilápia com escama de abobrinha.
4ª - bife à parmigiana.
5ª - tropeiro com lombinho acebolado.
6ª - feijoada.

Outra coisa: na hora do almoço, antes do prato é servido um pratinho de salada (ideia ótima!) e, quando ele chega, você pode pedir arroz e feijão se quiser, tudo isso de "cortesia":

Feijão roxinho bem feitinho
.
Servem um chopp Backer bem tirado e cremoso, e também a linha completa da cervejaria mineira em long neck.
Com comida boa, ambiente legal e preço honesto, a casa tem ficado sempre cheia, fazendo com que aumentassem o espaço recentemente pegando a loja ao lado.
Estão dando o exemplo de que, para ter sucesso, não é preciso explorar demais nos preços, pelo contrário.

A Mercearia 130 fica na Rua Ivaí nº 130, Serra, na rua que beira a lateral do Minas II.

Bão apetit!

segunda-feira, 15 de abril de 2013

FRANGO CAIPIRA AO MOLHO DE CAFÉ

Receita inspirada na nossa Coluna de Gastronomia do Jornal das Lajes (Resende Costa-MG): "Entra, vamo tomá um café!": (Clique aqui para ler)


Ingredientes:

1 frango caipira
2 colheres de sopa de essência de baunilha ou avelã.
200g de manteiga amolecida (fizemos com manteiga de garrafa e ficou ótimo)
Papel alumínio 

Para o molho de café:

250 mL de café forte  
1 colher de sopa de manteiga
1 colher de sopa rasa de farinha de trigo
1 colher de sopa de vinagre balsâmico 
1 colher de chá de mel
3 colheres de sopa de creme de leite.

Modo de preparo: 


  • Em uma tigela misture a essência com a manteiga.
  • Corte o frango nas juntas, separando as sobrecoxas, coxas e o peito. (Você pode fazer também só com as partes que mais gosta, comprar só coxas por exemplo).
  • Levante cuidadosamente a pele do frango e adicione a manteiga aromatizada delicadamente. Retorne a pele e, em seguida, aperte suavemente para espalhar a manteiga. 
  • Corte  retângulos  papel alumínio. Um para cada parte do frango.
  •  Coloque uma colher de sopa da manteiga no centro de cada folha de papel alumínio. 
  • Coloque cada parte do frango em uma folha de alumínio e feche bem.              
Deixe o "pé" da coxa de fora.
  • Coloque em uma assadeira e leve ao forno (pré aquecido) por 1 hora a 180 ° C .
  •  Retire cada frango do papel alumínio com cuidado para não se queimar.
  •  Volte o frango para o forno para dourar na temperatura máxima ou então na função grill (se seu forno tiver).

Para fazer o molho de café:


  • Adicione uma colher de manteiga em uma frigideira. Acrescente  a farinha, misture até formar uma pasta.
  •  Acrescente o café, o mel, vinagre balsâmico e, se gostar, gotinhas de pimenta.
  •  Mexa bastante até adquirir um molho espesso e adicione o creme de leite.
  • Prove e tempere com sal e pimenta do reino moída na hora.
  • Você pode servir esse frango com uma farofa de quiabo, com purê de batata baroa (ou abóbora), ou com o tradicional arroz branco.
  • Lembre-se que café é naturalmente amargo, então esse molho terá um toque de amargor natural. Se achar forte, adicione mais mel e creme de leite.
Frango ao molho de café com farofa de quiabo.

Frango ao molho de café com purê de batata baroa.

Algumas dicas cafeeiras do CASAL GASTRÔ:
  • Sempre que for comprar café do tipo arábica, espécie que resulta em bebidas mais aromáticas e equilibradas,escolha entre as categorias gourmet e especial.
  • Prefira embalagens a vácuo, elas protegem mais as características do café.
  • Procure embalagens menores, café gostoso é café novinho.
  • Não ferva a água para fazer o café, desligue o fogo antes disso. A temperatura muito alta irá "queimar" algumas propriedades do café.
  • Não coloque açúcar na água da fervura e procure apreciar o café cada vez mais com menos doce, principalmente os especiais.
  • Prove novas regiões e valorize embalagens que possuem informações sobre o local de produção e características da bebida. 
  • Existem 2 selos que certificam a qualidade: o Qualidade ABIC (são divididos em 3: tradicional, superior e gourmet, esse último usando melhores grãos) e o Brazil Specialty Coffee Association.
  • Para conservar melhor o café, guarde na geladeira.
  • Aos poucos vá diminuindo a quantidade de açúcar que coloca na bebida, assim você poderá apreciar a qualidade do grão com mais facilidade.
  • E o mais importante de tudo, assim como a cerveja e o vinho, café bom é aquele que você gosta.
Para as pessoas que gostam de fazer “turismo gastronômico”, o CASAL GASTRÔ indica a Primata Turismo & Aventura, que oferece 2 rotas de viagens partindo do sul de minas:  
  • Café Especial – Cristina e Carmo de Minas / MG. O roteiro inclui: visita nas fazendas produtoras, passeio nos cafezais, degustações, etc. Duração de 2 dias.
Para saber mais sobre esse passeio click no link abaixo:

  • Cafés do Brasil - da história aos sabores. Um roteiro que une os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, que tem como principal elemento o café aliado a cultura da região, como muita história, paisagens e sabores inesquecíveis. Duração de 6 dias. 
Maiores Informações:
agencia@primataonline.com.br
35 36220189/36222481

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Entra, vamo tomá um café?!
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http://www.jornaldaslajes.com.br/integra-coluna.php?i=543
Essa é uma das frases mais ditas no cotidiano das roças, cidades mineiras e também Brasil afora. Prova da presença e importância dessa bebida em nossas vidas. Na casa mais rica ou mais pobre, o café tornou-se item indispensável, seja para alimentar, acordar ou servir à visita. Além de dar prazer, prevenir doenças e movimentar a economia mundial com bilhões de dólares.
Tudo isso graças às cabras da Etiópia, no nordeste da África, que foram as descobridoras desse tesouro. De acordo com a famosa lenda de Khaldi, por volta do ano 500 d.C., os criadores de cabra da região começaram a perceber que elas ficavam mais ativas e espertas depois de comer aquele grão vermelho parecido com uma cereja. Então resolveram consumir também, inicialmente mastigando ou bebendo um fermentado alcoólico feito com o grão.  Posteriormente, ele foi levado para a península Arábica, que se tornou a principal região produtora, consumidora e exportadora do grão, que ainda demorou bastante tempo a ser preparado da forma atual. Pela importância da bebida, ela era chamada de “kahwah”, que significa vinho em árabe, palavra que deu origem ao nome café. De lá também vem o nome da espécie “café arábica”, que é sinônimo de grão de qualidade, anunciado em destaque nas embalagens como “100% arábica”.
Atualmente o Brasil é o maior produtor mundial, também se destacando pela qualidade dos grãos, cada vez mais apreciados no exterior. E nossa Minas Gerais é o estado que mais produz, com aproximadamente 50% da safra nacional. Para se ter uma ideia da importância da nossa terra, para cada quatro xícaras de café tomadas no mundo, uma é feita com café mineiro! Ele é exportado para mais de 60 países e no quesito qualidade também está no topo da lista. Em recente torneio na Europa, entre dez cafés especiais selecionados do mundo todo, seis eram daqui. Basta entrar em um supermercado sofisticado de Paris para ver a valorização que o café mineiro tem tido lá fora, o que infelizmente ainda não ocorre por aqui como deveria.
O Sul de Minas é a região que mais se destaca, não só na qualidade, mas na quantidade, apesar de ser a cidade de Patrocínio, no Alto Paranaíba, o município que mais produz no país. O sul do estado, cujas características climáticas e geográficas são o diferencial, tem abraçado cada vez mais essa atividade, que não se restringe a plantar e vender o grão. Assim como outros produtos ligados à gastronomia, o café tem se tornado uma importante ferramenta de desenvolvimento do turismo. Já existem roteiros turísticos e agências que levam os turistas para conhecer as fazendas produtoras e, consequentemente, apreciar a belíssima região, a culinária etc., além de festivais, como o “Café com Música”, da charmosa cidade de Cristina. Exemplo a ser seguido pela nossa Resende Costa, que já passou, e muito, da hora de ter o seu grande “Festival do Artesanato”.
Voltando para a bebida, assim como já falamos da cerveja, o café também tem seu lado social, principalmente para nós mineiros. Ele é a desculpa para o de fora entrar pra cozinha, esticar a prosa e, claro, se deliciar com os acompanhamentos que aqui são muitos: queijo, broa de fubá, biscoito polvilho, pão de queijo e por aí vai. Portanto, o café está muito ligado ao jeito mineiro acolhedor e farturento de receber, uma das nossas grandes virtudes.
Todos nós temos a chamada “memória olfativa”, que nos faz remeter a uma situação do passado quando sentimos algum cheiro ou gosto. E uma memória das mais marcantes para mim é a do cheiro do café sendo torrado e depois moído, que me transporta imediatamente para a fazenda dos meus bisavós em Moeda, quando criança. Adorava ajudar a moer o grão no moinho velho e ficava intrigado com a força do cheiro da torrefação, que parecia subir quilômetros morro acima, perfumando até hoje aquele lugar.


terça-feira, 19 de março de 2013

1º CONGRESSO MINEIRO DE GASTRONOMIA

O "Madrid Fusion" ficou para trás e deixou, além do orgulho da gastronomia mineira, uma certa curiosidade sobre o que foi dito e feito por lá pelos nossos representantes.
Foi então que tiveram a brilhante ideia de "repetir" as palestras ministradas, o que ocorreu no 1º Congresso Mineiro de Gastronomia, evento que fez parte do 5º Salão Mineiro do Turismo no último dia 15, na capital.
Ao todo foram 5 apresentações feitas por parte da comitiva que atravessou o atlântico com os embornais cheios de mineiridades, cujo sucesso pôde ser confirmado nessa deliciosa e emocionante tarde. Destaque também pelos vídeos produzidos, belíssimos e de tocar não só a boca, mas principalmente o coração.

O MILHO


Iniciando os trabalhos, os chefes Edson Puiati (gerente de gastronomia do Senac-MG) e Guilherme Melo (Restaurante Hermengarda), deram uma bela aula sobre o milho, seus subprodutos, importância histórica, receitas clássicas, além de curiosidades, como a de que a canjiquinha proveniente do moinho de pedra não perde o amido.
Apresentaram o vídeo com as receitas reinventadas, onde fizeram um jogo interessante com os 4 elementos:
Fogo = curau
Ar = espuma de canjica
Terra = fubá torrado
Água = mini pipocas, feitas com canjiquinha e belíssimas por sinal.
Destacaram a todo momento a importância da pesquisa e do resgate dos produtos e técnicas tradicionais do passado, inclusive para a construção de uma gastronomia contemporânea. Como arrematou Puiati "nossa base tradicional estará sempre em voga."

TROPEIROS E FAZENDAS


Em seguida foi a vez dos chefes Rafael Cardoso (Restaurante Atlântico) e Ivo Faria (Restaurante Vecchio Sogno), que trataram respectivamente dessas duas etapas históricas da formação da gastronomia mineira: a primeira, decorrente dos tropeiros e bandeirantes, que carregavam a cozinha no lombo de burro, sendo obrigados a utilizar ingredientes secos e menos perecíveis, como a farinha e a charque, na chamada "cozinha seca". E na etapa seguinte, com o declínio do ouro e a necessidade de se fixar, o surgimento das fazendas e da sua cozinha "molhada", com o grande uso de verduras, frutas, galinhas, ovos, etc. Como definiu o jovem e talentoso chefe Rafael, essa  foi a "genesi da cozinha mineira".
Apresentaram receitas clássicas como a paçoca de carne e a carne da lata, além de um interessante preparo do jiló, empanado com farinha de torresmo e recheado com linguiça e umbigo de banana.

MANDIOCA


O chefe Felipe Rameh (Restaurante Trindade) - pupilo do aclamado Alex Atala - veio em seguida para falar da mandioca, acompanhado do chefe Eduardo Avelar (Sabores de Minas), que substituiu Atala no nosso congresso.
Apresentação muito instrutiva e interessante, com a demonstração de vários tipos de farinha, videos e fotos sobre os processos de extração dos subprodutos da mandioca, definida por Rameh como "o ingrediente mais importante da cozinha brasileira". Trouxeram ainda muitas curiosidades, como a de que a mandioca brava - espécie venenosa da planta - teria sido criada propositalmente pelos índios para que animais e tribos inimigas não roubassem a plantação, desenvolvendo paralelamente a técnica para extrair seu veneno.

MINAS GERAIS - PASSADO, PRESENTE E FUTURO


Uma das palestrar que mais mexeu com o público foi a dos chefes Eduardo Maya (Comida di Buteco) e Eduardo Avelar (Sabores de Minas), com a participação ao final da Dona Nelsa Trombino (Restaurante Xapuri), uma das madrinhas e ícones da culinária mineira ao lado da Dona Lucinha, que esteve em Madrid mas infelizmente não pôde comparecer ao congresso.
Os xarás fizeram uma entrosada e divertida apresentação sobre passado, presente e futuro da nossa gastronomia, trazendo muitos dados e informações decorrentes dos belos trabalhos por eles desenvolvidos, tanto separada como conjuntamente, caso da "Conspiração Gastronômica". Impressionantes os números apresentados, assim como o levantamento dos "terroirs" do nosso estado. De acordo com Avelar "a cada 4 xícaras de café tomadas no mundo, uma é proveniente de café mineiro."
Por fim, o testemunho emocionado da Dona Nelsa, que contou sua história de vida e dedicação à gastronomia mineira, com direito a lágrimas e tudo mais.

NOVA GERAÇÃO


Para encerrar, subiram ao palco os jovens chefes Pablo Oazen (Garagem Gastronomia), Felipe Rameh (Restaurante Trindade), Fred Trindade (Restaurante Trindade) e Leonardo Paixão (Restaurante Glouton), apresentando cada um deles um prato elaborado em Madrid, todos muito interessantes e pertinentes: folhas e ervas mineiras exóticas; frango com quiabo desconstruído; lombinho com molho de doce de leite e uma bela sobremesa feita com broinha de fubá, mandioca e cagaita, que simulou visualmente o ambiente do cerrado, uma verdadeira obra de arte visual.
Finalizaram o evento em grande estilo, nos mostrando que representaram muito bem o nosso estado, assim como os demais profissionais que lá estiveram na comitiva.

E para quem ficou com água na boca, foi criada a oportunidade de degustar essas preciosidades no evento "Uai Fusión", que será promovido no Restaurante Trindade. Vale um clique no Blog do Girão para conferir os detalhes (clique aqui)


Artigo da nossa Coluna de Gastronomia do Jornal das Lajes (Resende Costa-MG) - http://www.jornaldaslajes.com.br/integra-coluna.php?i=525

Sou do mundo, sou Minas Gerais
 


“Ser Mineiro é não dizer o que faz, nem o que vai fazer,
é fingir que não sabe aquilo que sabe,
é falar pouco e escutar muito,
é passar por bobo e ser inteligente,
é vender queijos e possuir bancos”.

O título vem da música cantada por Milton e o trecho do poema é do Drummond. Duas figuras importantes que saíram de Minas, mas nunca deixaram Minas sair delas. E que sempre fizeram questão de mostrar nossas inúmeras riquezas, inclusive uma delas que é o nosso jeito de ser. Afinal, “minas são muitas”.

Ocorre que, por uma série de fatores históricos, culturais e até geográficos, grande parte dessas riquezas sempre foram muito bem guardadas, sobretudo a gastronomia. Tal como o ouro antigamente, cuja existência não poderia ser revelada sob pena de confisco, nossos produtos, receitas e técnicas culinárias seguiram o mesmo caminho.

Se por um lado esse segredo foi benéfico quanto à preservação interna da riqueza gastronômica - muito bem cozida em fogo baixo ao longo dos anos - por outro, já estamos passando da hora de começar a servir esse prato e colher os seus frutos. E para isso, precisamos abrir as portas das nossas despensas e quintais para o mundo.

Como bem disse o chef Eduardo Avelar, que por sinal realiza belíssimo trabalho de registro e valorização da nossa gastronomia com o “Sabores de Minas” e a “Conspiração Gastronômica”, “se antes escondíamos as refeições em gavetas sob as mesas, hoje queremos mais do que nunca mostrar a todos”.

E o ano de 2013 deve ser considerado um marco para nós mineiros: pela primeira vez na história do principal evento de gastronomia do mundo – o Madrid Fusión, na Espanha – não houve um país homenageado, mas sim um Estado. O nosso! Se nos anos anteriores o foco do festival foram nos países cuja gastronomia vem merecendo destaque mundial (Peru, México etc.), agora decidiram que Minas Gerais seria a bola da vez.

Pode-se dizer que tudo começou através do Festival de Gastronomia da nossa vizinha Tiradentes, hoje o principal do país. A convite do Governo do Estado, os organizadores do evento espanhol vieram e ficaram encantados com o que viram de perto. Não só no festival, mas no Mercado Central de BH... e quem sabe até na nossa rua do artesanato em Resende Costa. Certamente, tomaram uma boa cachaça de Salinas com um pedaço de queijo Canastra, um café do Sul de Minas com biscoito de São Tiago e comeram um frango do quintal com quiabo da horta e angu de fubá do moinho d’água. Viram a hospitalidade e o orgulho das origens que só nós mineiros temos, além das montanhas e paisagens únicas. E aí não teve jeito de não se encantar.

Para completar, um grande esforço do governo estadual com apoio político e financeiro para viabilizar a participação e lá se foi a comitiva formada por 15 chefs mineiros, que atravessaram o oceano levando no embornal parte do nosso verdadeiro tesouro, não aquele extraído das minas de ouro, mas sim dos quintais. E como já era de se esperar, fizeram tremendo sucesso, apesar do infantil e lamentável “ciúme” do resto do país, principalmente São Paulo e Rio de Janeiro.

Nossos representantes foram responsáveis pelo coquetel de abertura do evento e serviram não só clássicos como a rabada com agrião, paçoca de carne serenada, pastel de angu e pão de queijo, mas também pratos mais contemporâneos feitos com nossos ingredientes. Assim, mostraram que nossa cozinha não vive só de uma sólida raiz do passado, mas também tem as suas asas para o futuro e, se bem valorizada e divulgada, pode trazer inúmeros frutos para todos nós, a começar pelo homem do campo.

Enfim, chegou a hora de entender de uma vez por todas que somos muito mais ricos do que imaginamos e que por isso podemos ser do mundo, mas sem abrir mão de ser Minas Gerais.


quinta-feira, 14 de março de 2013

COSTELINHA CERVEJEIRA

Receita da coluna de gastronomia desse mês do Jornal das Lajes, de Resende Costa-MG.
"Cerveja, o gole da vez", tratou um pouco desse universo cervejeiro que vem ganhando cada vez mais espaço no nosso cotidiano gastronômico. A prosa também fala da origem e da forma como ela é fabricada, além do atual panorama das cervejas artesanais em Minas Gerais. (para ler clique aqui)

COSTELINHA CERVEJEIRA

Receita boa para tira-gosto ou prato principal, fácil de fazer e com dois ingredientes que são uma unanimidade para nós: costelinha e cerveja.

Ingredientes:
(porção para 4 ou 5 pessoas)
- 2kg de costelinha de porco;
- 1 dose de cachaça;
- 3 colheres de sopa de azeite;
- Tempero caseiro de alho e sal a gosto ou então sal e pimenta do reino;
- 3 colheres de sopa de mostarda;
- 3 colheres de sopa de ketchup;
- Ervas aromáticas (usamos o manjericão, mas alecrim e tomilho vão muito bem, assim como cheiro verde)
- 2 latas de cerveja clara (depois tente fazer com a escura, também fica ótimo);
(Aliás, na verdade são 12 latas: 2 para a receita e 10 para o cozinheiro...)


Dica do casal: nessa receita utilizamos a costelinha inteira e não com o osso cortado ao meio como geralmente é vendida. Ela tende a ficar mais suculenta e, claro, generosa na hora de se "lambuzar os beiços".

Essas gorduras entremeadas são de lambuzar os beiços mesmo
Preparo:
- Esfregue a cachaça na carne e deixe descansando por 10 minutos, para tirar a "mardade" e amaciar;
- Misture os ingredientes na ordem e deixe marinando de um dia para o outro na geladeira (ou pelo menos umas 2 horas);

Como diz nossa querida amiga e grande cozinheira
Alessandra Drumond: "COSTELINDA"!

- Em uma panela grossa bem quente (a de ferro é ótima para isso), grelhe os pedaços para que eles fiquem selados, ganhando cor e criando uma "capa" que não deixará os sucos irem embora. Dependendo do tamanho da sua panela, faça isso em etapas, pois tentar fazer tudo ao mesmo tempo não costuma dar certo (a panela perde calor e começa a dar água). Essa é uma técnica muito importante e que se aplica a vários outros preparos;
- NÃO JOGUE FORA O LÍQUIDO DA MARINADA!




- Depois de selar todos os pedaços, descarte o excesso de gordura que se soltou da carne e adicione o líquido da marinada, esfregando vigorosamente o fundo da panela com uma colher para que a borra formada se solte no líquido. Essa é outra técnica importante que se chama "deglaçar" e também se aplica a vários outros preparos. Além de dar mais cor ao molho, agrega muito sabor e ainda facilita a limpeza da panela;


- Abaixe o fogo, tampe a panela e deixe cozinhando lentamente até a carne ficar macia (no mínimo 20 minutos);
- Sirva como tira gosto com uma mandioquinha frita ou então como prato principal mesmo, com arroz branco. Fizemos um arroz do tipo "cateto", bem 'al dente', e ficou ótima a combinação.


- E já que é uma costelinha "cervejeira", claro que a harmonização sugerida é com cerveja, como uma dos estilo PALE ALE, da Cervejaria Backer de BH:

Foto: site da cervejaria

- Outra sugestão - essa mais para o pessoal de Belo Horizonte - é um molho tailandês - Thai BBQ Sauce - recém chegado ao Supermercado Verdemar, nosso paraíso de coisas boas. É da linha "exotic food", picante e um pouco adocicado, para quem quiser dar um toque diferente na carne de porco, nessa ou em outra receita (seja na marinada ou na hora de comer). Assim como os demais tipos dessa linha, custou na faixa de R$8 o vidro (preço promocional de lançamento).


Bão apetit!


Cerveja, o gole da vez

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Para cada situação costuma haver um tipo de bebida apropriada, seja pelo clima, tipo de evento, cultura local ou propósito do bebedor. Mas uma coisa é incontestável: se há uma que é a cara do nosso país é a cerveja. Simples, descontraída e refrescante. E de uns tempos para cá, vem quebrando tabus e alcançando espaços antes ocupados por outras bebidas consideradas mais “finas”, o que mostra o valor desse ouro líquido.
Mas para continuarmos a prosa, vamos voltar no tempo e entender um pouco da origem e de como ela é feita. Estima-se que em 9.000 a.C já se fazia cerveja e existem registros de produção em 4.000 a.C, na Suméria, atual Iraque. Antes de desenvolver a escrita o homem já estava tomando uma! E a descoberta - igual o queijo e a cachaça - teria sido acidental: esqueceram uma vasilha com grãos de cereal (cevada, trigo, arroz) na chuva, eles germinaram (amido virou açúcares), secaram, tomaram mais chuva e foram atacados por micro-organismos que fermentaram o caldo (açúcares viraram álcool). Beberam a mistura, ficaram alegres e felizes e começaram a repetir o processo.
Cerveja já foi alimento, matou fome e peste. E hoje é feita a partir de um cereal umedecido, secado e cozinhado em água pura, quando se acrescenta o lúpulo, uma planta da família das canabináceas, que dá amargor, gosto e durabilidade. Por último, as leveduras (fermento), que finalizam o processo. É a receita básica, porém, vários fatores podem concorrer para um resultado final diferenciado: tipo de cereal e a forma como foi tratado (mais torrado = cerveja mais escura), quantidade de lúpulo, acréscimo de outros ingredientes como ervas e frutas etc. 
Na prática, se no rótulo se indicar “puro malte”, significa que ela é feita exclusivamente com cereais maltados (cevada e/ou trigo), o que dá bastante diferença na qualidade. É o caso da Heineken, por exemplo, que já é encontrada em Resende Costa e não custa tão mais caro do que uma Skol. Essa, assim como a maioria das marcas consumidas no país, é feita também com cereais “não maltados” (milho, arroz).
Em função dessas diferenças apresentadas e disponibilizadas aos consumidores, tem crescido muito a procura pelas “cervejas especiais”, principalmente as artesanais. Por serem feitas em escala menor e com ingredientes e técnicas superiores, o produto final tende a ser melhor, fazendo com que a cerveja alcance público e ocasiões antes restritas a outras bebidas, além do prazer maior, claro. 
Mas e o preço? Embora existam cervejas realmente caras, o crescimento do mercado tem possibilitado tomar cervejas muito boas a preços bons. Dou o exemplo da ótima cervejaria Backer - mineira de BH - cuja garrafa de 600ml do estilo pilsen chega a custar R$4,90 no supermercado, mais em conta do que uma Brahma no bar. Além disso, pelas características da cerveja especial e pela forma como ela é degustada, o volume consumido pode ser inferior ao da cerveja comum, o que diminui o custo do consumo.
Seguindo os passos da cachaça, Minas tem se destacado muito no cenário nacional de produção de cerveja artesanal de qualidade. E BH já é a cidade no país com a maior concentração de cervejarias no seu entorno - como as já tradicionais Áustria, Wäls e Falke Bier - algumas premiadas internacionalmente. Da mesma forma, o número de lojas e bares especializados também aumenta, assim como a procura por cursos de produção caseira, como o da Cervejaria Escola Taberna do Vale. Algumas horas de curso e um pequeno investimento em equipamentos simples (panelas, baldes, balança) já permitem a produção de cerveja boa até dentro do apartamento, prova da sua simplicidade e versatilidade, inclusive quanto às receitas de cada cervejeiro.
Enfim, seja ela mais especial - infelizmente ainda pouco disponível na nossa cidade – ou a mais barata, que a cerveja continue sempre cumprindo seu papel de reunir os amigos para se divertir com alegria e confraternizar com prazer e simplicidade essa bebida espetacular e histórica.


sábado, 2 de fevereiro de 2013

PASTEL DE MILHO DO SUL DE MINAS


O PASTEL DE MILHO DO SUL DE MINAS é uma receita típica da região, cuja massa é feita com a farinha de milho flocada e posteriormente recheada - geralmente com carne moída ou queijo - antes de ser frita em óleo quente.

De acordo com uma das lendas, a história do pastel começou em 1819, quando 80 famílias deixaram Soledade (hoje Delfim Moreira), acompanhadas do padre Lourenço da Costa Moreira para fundar a vila que daria origem à Itajubá. A expedição saiu em busca de novas áreas para plantio e pecuária, um lugar onde o relevo fosse menos acidentado e houvesse facilidade de ocupação e exploração às margens do rio Sapucaí.

Durante a expedição, os alimentos foram se tornando escassos e, com as longas caminhadas, restou farinha de milho e polvilho como alimento. No interior da massa modelada em forma de um bolinho eles rechearam com carne de caça e fritaram com gordura de capivara. O alimento criado foi considerado saboroso e, quando já estabelecidos em Itajubá, a receita foi novamente preparada pelos exploradores para lembrarem da viagem e divulgada entre os novos habitantes da vila que se erguia. (fonte: Jornal Sul de Minas)
  
Inclusive, felizmente ele já foi registrado como patrimônio cultural do Município de Itajubá, através do decreto nº 4.283/10, visando sua preservação, divulgação e valorização. Bela iniciativa.

Importante lembrar que, apesar da semelhança, o Pastel de Milho é diferente do Pastel de Angu, muito consumido na região central do estado, cuja origem é atribuída às cidades de Itabirito e Conceição do Mato Dentro. Como o nome já diz, a massa desse pastel é feita através do angu e não da farinha de milho como no sul de minas.

Pastel de Milho do Sul de Minas


Ingredientes:

500g de farinha de milho 
½  xícara de polvilho azedo
500ml de água quente para escaldar (a quantidade necessária para formar a massa)
1 ovo caipira
2 colheres de óleo
1 pitada de sal
Óleo para fritar

Recheio 

O tradicional pastel de milho do sul de minas é recheado com carne moída ou queijo, mas você pode colocar o que preferir. No vídeo que mostra ele sendo enrolado, o recheio foi de pato caipira.

Usamos a farinha de milho flocada de Piranguinho/MG.

Modo de preparo:

Em uma vasilha coloque os ingredientes secos: a farinha de milho, o polvilho e o sal. Misture bem.


Coloque a água fervente aos poucos e mexa com uma colher, faça isso até que a massa comece a amolecer.

Espere esfriar um pouco, coloque o ovo e vá misturando com a mão. Continue colocando água (que deve estar em uma temperatura mais baixa para você conseguir trabalhar) e sove a massa, até que ela fique lisinha e não muito mole.


O ponto ideal da massa
Dica preciosa da Bel: para saber se a massa está no ponto, pegue um pedacinho dela, estique e dobre ao meio. Se ela não quebrar, é sinal que já está boa. Caso ela quebre, é necessário mais um pouco de água para sovar mais.


Depois da massa pronta, separe um bolinho e vá abrindo cuidadosamente na mão de forma a acomodar o recheio.


Leve os pasteis para fritar em óleo quente.



Bel - nossa cozinheira de mão cheia - e seus pastéis 


Para acompanhar, uma cerveja gelada e, por favor, NÃO ESQUEÇA DA PIMENTA!

Bão apetit!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

ARROZ DE ARADO - COM AÇAFRÃO, TAIOBA E LINGUIÇA CAIPIRA ENFUMAÇADA

A receita de hoje foi inspirada no artigo desse mês do Jornal das Lajes - da nossa querida Resende Costa-MG - cujo tema foi "COZINHA DE FORA" (para ler clique aqui).
Diante do notório e bem vindo crescimento das "cozinhas de fora" - ou "espaços gourmet" - fizemos uma receita ideal para essas ocasiões, pois pode ser feita para uma quantidade maior de pessoas, de preferência no fogão à lenha.
O mais interessante é que ela é preparada em uma panela muito utilizada na gastronomia mineira, sobretudo no interior: O DISCO DE ARADO.


Trata-se de um dos vários discos que compõe o arado do trator e que é responsável por revolver a terra, ou seja, ele tem sua importância gastronômica pois já participou da produção do alimento. Depois de retirado do conjunto, basta uma simples adaptação (tampar os buracos e instalar as alças), o que pode ser feita por encomenda. Ou então comprado já pronto, como no Mercado Central de BH. Existe ainda uma opção de tamanho menor, que é feita com a grade do trator (uma espécie de arado, com a borda ondulada).

É um utensílio espetacular e muito versátil: resistente, prático, permite preparo de grande quantidade de alimento, guarda bastante calor e possibilita a cocção de vários ingredientes diferentes em etapas, sem precisar retirá-los da panela, como ocorre com o wok chinês. Exemplo: refoga-se o bacon, afasta para a beirada longe do calor e vem com a cebola, o alho, etc.

Além dessa receita com arroz, o disco de arado é muito bom para carnes (inclusive para selar peças grandes como pernil inteiro, lombo), refogados com legumes no estilo chinês, macarrão na chapa, feijão tropeiro e vários outros pratos.

Vale muito a pena comprar um, que se bem cuidado vai virar herança para os netos.

Mas a receita também pode ser feita com panela wok, paellera, frigideira grande ou panela mesmo.

Ingredientes:
(porção para 6 a 8 pessoas)

- 4 xícaras de arroz;
- 12 folhas médias de taioba rasgadas (lembre-se que a taioba rende muito pouco);
- 2 cebolas grandes fatiadas em tiras finas (juliene);
- 2 cabeças de alho picadas;
- 4 tomates cortados em tiras, sem sementes;
- 500g de bacon carnudo cortado em cubos;
- 1,5kg de linguiça defumada, de preferência enfumaçada no fogão de lenha;
- 1 tablete de caldo de galinha;
- 1 colher de sopa de açafrão da terra;
- 1 dose de cachaça;
- Cheiro verde e sal.


Detalhe: a ideia do prato surgiu não só da abundância de taioba na horta, mas principalmente do presente que ganhamos da Tânia do Lourenço, nossa querida vizinha de roça: uma deliciosa linguiça caipira enfumaçada no fogão de lenha, depois da última matança de porco. Cozinheira de mão cheia, a linguiça feita por ela estava muito saborosa e certamente foi o diferencial do prato, dando um sabor ímpar que só os embutidos artesanais da roça têm. Se conseguirem adquirir uma dessa, a receita ficará melhor ainda.


Preparo:

- Em uma panela separada, refogar o arroz com o caldo de galinha e o açafrão por 3 minutos, acrescentar um pouco de sal e água até cobrir e sobrar 1 dedo. Tampar, abaixar o fogo e esperar ficar cozido;
Dica do casal: desligue o fogo um pouco antes de estar cozido e deixe que o calor da panela tampada faça o resto do serviço. Depois venha com o garfo soltando os grãos.
- Aqueça o disco e frite o bacon até ficar crocante. Retire o excesso de gordura se necessário, mantendo um pouco para os demais ingredientes;
- Afaste o bacon para a lateral e venha com a linguiça, depois a cebola, o alho, a taioba e o tomate, sempre da mesma forma, afastando cada ingrediente já refogado para a lateral antes de adicionar o próximo da ordem;


- Misture os ingredientes que estão no disco, adicione uma dose de cachaça e venha com o arroz e o cheiro verde e está pronto.


Sirva com umas gotas de limão e uma pimenta cumari (ou de passarinho como se diz na roça), que certamente pedirá uma cerveja gelada (se for uma no estilo"Red Ale" melhor ainda). Se preferir um vinho, vai casar bem com um rosé.

Bão apetit! 





terça-feira, 11 de dezembro de 2012

RECEITA DE NATAL - ROSBIFE DE FILÉ MIGNON DE PORCO COM MOLHO DE ERVAS

Tentando fugir um pouco dos pratos típicos de natal como o peru, sugerimos uma receita um pouco diferente, mas que também tem tudo a ver com esse tipo de comemoração.
O tradicional rosbife geralmente é feito com filé mignon ou lagarto, ambos bovinos. A característica principal do rosbife é o fato dele ser servido FRIO e fatiado finamente, o que é uma grande vantagem para os nossos dias quentes de natal e ano novo. Além disso, ele deve ser feito com antecedência, o que facilita mais ainda o trabalho no dia da ceia. E o melhor: NÃO ESFRIA NA MESA!!!
No nosso caso, bolamos uma receita diferente, utilizando uma carne mais barata e mais MINEIRA: O PORCO.
Aliás, essa questão sobre tentar adequar nossa cozinha de fim de ano (inspirada em países onde até neva nessa época) para nossa realidade foi tema da última Coluna de Gastronomia do Jornal das Lajes (clique aqui para ler).

Ingredientes:
(porção para 4 pessoas)

- 2 filés mignons pequenos de porco (cerca de 400g cada um)
Obs: esse corte também é conhecido como "lombinho", "filezinho" ou "filezinho do pernil'.
- 1/2 garrafa de vinho tinto seco;
- Tempero caseiro de alho e sal;
- 1 cebola roxa pequena fatiada finamente;
- Suco de meio limão;
- Ervas variadas a gosto, bem picadas (alecrim, manjericão, tomilho, cebolinha, salsinha, hortelã...o que tiver na horta);
- 1/2 pimenta dedo de moça bem picada (opcional);
- Filme plástico de PVC.
- Azeite

Preparo:

- Temperar a carne com azeite, um pouco do tempero (cuidado com o excesso, use menos do que o normal), um bom bocado das ervas picadas e o vinho;
- Deixar essa marinada na geladeira de um dia para o outro;
Dica do Casal: o melhor jeito para acondicionar marinadas em geral é dentro de um saco plástico transparente e resistente. Além de ajudar no processo da troca de sabores, economiza espaço na geladeira e suja menos vasilha.

Vale a pena comprar um cento de saquinhos no mercado, eles
são muito úteis na cozinha.


- Escorrer bem a carne. Em uma frigideira ou panela de fundo grosso e bem quente, adicionar um pouco de azeite e selar a carne em ambos os lados até ficar bem dourada:

Essa vasilha é uma mistura de panela com tabuleiro,
se chama "braseiro" e vale a pena ter em casa.
- Depois, levá-la ao forno pré aquecido em temperatura média, por aproximadamente 25 minutos. Use um tabuleiro se a sua frigideira ou panela não puder ir ao forno. E aproveite o líquido da marinada para regar a carne enquanto assa;
- Deixar esfriar, enrolar no filme plástico cada pedaço e levar para a geladeira no mínimo por 3 horas (pode congelar também se quiser);



Molho de ervas:
- Em uma vasilha, misturar bastante azeite com a cebola fatiada, as ervas, o suco de limão e a pimenta dedo de moça. Deixar descansar na geladeira.
Dica do casal: faça maior quantidade desse molho, pois ele pode ser usado em outros pratos da ceia e posteriormente, já que ele dura vários dias na geladeira;


Para servir:
- Fatiar a carne finamente e com cuidado para ela não desmanchar (colocar ela no freezer por alguns minutos antes de cortar ajuda no processo);
- Dispor as fatias em uma vasilha e deixar o molho para ser servido à parte;


Bão apetit!

Feliz natal e ano novo!